Montijo | CDU e PSD obrigados a provarem que não fazem política de “terra queimada”

“Mais importante do que analisar como são distribuídos os 25,5 milhões de euros do orçamento, quero refletir sobre as posições políticas dos partidos – CDU e PSD – e, na minha opinião, obviamente discutível, qual o caminho a seguir pelo presidente da câmara.”

Martin Rowson cartoon 22.03.2012

As Grandes Opções do Plano e Orçamento Municipal para o ano de 2015 da Câmara Municipal do Montijo foram chumbados pelos partidos da oposição – CDU e PSD – em reunião de câmara realizada no passado dia 29 de outubro.

Na elaboração do plano e orçamento, ao abrigo do estatuto da oposição, o executivo municipal reuniu com os representantes dos partidos com o objetivo de prepararem os documentos.

Confesso, não conheço os documentos e não tenho informação se os partidos da oposição apresentaram propostas. Segundo o presidente da câmara, Eng.º Nuno Canta, a pavimentação do acesso ao bairro da Bela Colónia, a aquisição de um trator e a construção de um polidesportivo na freguesia de Sarilhos Grandes, a requalificação do Largo da Feira em Canha, entre outras atividades previstas no plano, não se vão realizar, consequência da posição da CDU e PSD.

Mais importante do que analisar como são distribuídos os 25,5 milhões de euros do orçamento, quero refletir sobre as posições políticas dos partidos – CDU e PSD – e, na minha opinião, obviamente discutível, qual o caminho a seguir pelo presidente da câmara.

Como nota prévia, com 40 anos de democracia em Portugal, cada vez mais, os cidadãos eleitores exigem dos seus representantes. Hoje, aos partidos políticos e aos seus eleitos é-lhes exigido a defesa do interesse público, a transparência e combate à corrupção, o cumprimento da Lei, ética, mas também, é exigido sustentadas propostas e estratégias de desenvolvimento que proporcionem uma maior qualidade de vida aos cidadãos. Velhos procedimentos e formas de estar que limitam a liberdade individual e a discussão de ideias diferentes e limitam consequentemente o desenvolvimento das sociedades têm os dias contados. Os adeptos da política de “terra queimada” são muito poucos – a arma das mentes limitadas é dividir para reinar – a mestria das mentes capazes é, na diversidade de opiniões, saber unir, incluir e partilhar – válido para quem governa e para quem faz oposição, na dimensão local, regional e nacional do nosso sistema político.

A posição do PSD não surpreende. Em 20 de novembro do ano passado, em reunião de câmara onde foram discutidos e aprovados o plano e orçamento municipal para 2014, a justificação do PSD para sustentar o seu voto contra passou simplesmente por referências à falta de informações solicitadas ao executivo socialista e não fornecidas por este e por ser um documento do PS! Obviamente, passado um ano, quaisquer justificações de suporte a posição idêntica – do contra – parecem-me eivadas de política de “terra queimada”. Recentemente, o líder distrital do PSD referiu “recusámos sempre fazer política de terra queimada” – algo não bate certo!

A CDU votou contra – em 2013 absteve-se. De um ano para o outro os argumentos não diferem. Se nos argumentos existe coerência, no sentido de voto a incoerência é total! Se no ano passado para a CDU o “PS estava em fim de ciclo”, este ano, para a CDU o “PS está em fim de ciclo”, no próximo ano, para a CDU o “PS estará em fim de ciclo” e, estou convencido, mesmo com uma vitória do PS nas próximas eleições autárquicas, para a CDU o “PS está em fim de ciclo” – é a “cassete” a funcionar. A CDU com os mesmos argumentos muda de posição – é muito pouco para quem tem ambições de poder e diz defender os interesses da população – com a abstenção, a CDU garantia que “o ónus não recaía sobre a população”, com o voto contra, a CDU deixa cair o ónus sobre a população. Será política de “terra queimada”?

Num novo quadro negocial, tendo em vista a tentativa de aprovação dos documentos, cabe ao presidente da câmara, Eng.º Nuno Canta, convocar a oposição e colocar em cima da mesa a abertura necessária para incluir no plano e orçamento propostas da CDU e PSD. A arma das mentes limitadas é dividir para reinar – a mestria das mentes capazes é, na diversidade de opiniões, saber unir, incluir e partilhar.

Quais são as propostas e/ou medidas que a oposição não concorda refletidas nos documentos? Que propostas têm a CDU e o PSD para incluir nos documentos? Estas são as questões a colocar à CDU e ao PSD e devem ser respondidas no plano da responsabilidade, do equilibro orçamental entre receitas e despesas, com propostas sustentadas do ponto visto financeiro, como os cidadãos exigem!

Serão – CDU e PSD – capazes de provarem que não fazem política de “terra queimada”?

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