Economia de partilha “veio para ficar”

Fonte: Smart Cities

“A economia de partilha veio para ficar” e as cidades estão a fazê-la funcionar e crescer em todo o mundo. Esta é a conclusão do estudo “Cities, the Sharing Economy and What’s Next”, que garante “que a economia de partilha está a prosperar, derrubando as indústrias tradicionais, rompendo com os enquadramentos regulamentares locais e servindo de referência para a inovação e crescimento”.

economidepartilha

A economia de partilha, também chamada de consumo colaborativo ou economia colaborativa, refere-se a modelos de negócio que possibilitam aos fornecedores e consumidores a partilha de recursos e serviços, que podem ir desde casas a meios de transporte. Estes modelos assumem habitualmente a forma de um plataforma on-line ou tem com base uma aplicação, e podem incluir a partilha pura, sem dinheiro associado, ou a comercialização de serviços. Entre as condições favoráveis ao surgimento da economia de partilha estão a crescente urbanização das cidades, a mudança das condições económicas das populações e as alterações nos estilos de vida e preferências das novas gerações.

Com base em dez cidades norte-americanas, o relatório da National League of Cities analisa os impactos da economia de partilha em cinco áreas chave nas cidades: inovação, desenvolvimento económico, igualdade, segurança e implementação. Na tentativa de regulamentar a economia de partilha, o relatório mostra que não há um modelo que sirva a todos – “um dos aspectos verdadeiramente inovadores das cidades é a sua capacidade de, face aos novos desafios, experimentar e desenvolver soluções únicas e inspiradas localmente”.

As cidades desempenham um papel central na decisão de quais as práticas de partilha que são adoptadas e quais são rejeitadas, ao mesmo tempo que assistimos a uma disrupção com o modelo vigente, impulsionada pelo aumento inesperado de modelos de negócio de partilha e pela proliferação de empresas que servem de catalisadores do consumo colaborativo.

“Os líderes das cidades têm de caminhar numa linha ténue, trabalhando para abraçar a mudança e inovação enquanto dão prioridade, ao mesmo tempo, à segurança e vão desenvolvendo soluções urbanas sensíveis ao contexto que trabalhem para as suas comunidades”, aponta o documento.

Encontrar o equilíbrio entre cinco áreas

No que toca à inovação, importa saber qual o papel dos representantes políticos locais e a forma como as cidades incentivam a criação de políticas inovadoras. “Ser receptivo à inovação” tornou-se a regra, no que respeita à economia de partilha, todavia o maior desafio das cidades neste novo contexto é encontrar um equilíbrio entre as plataformas inovadoras que surgem, com todos os seus benefícios, e a sua regulação, no que toca à segurança e responsabilidade.

À medida que a economia de partilha cresce, cresce também o seu impacto nas economias locais. A perda de receitas que estavam normalmente ligadas a impostos e outras, a criação de emprego e os impactos no turismo são as maiores preocupações urbanas. No caso dos impostos, cada cidade encontrou diferentes formas de abordar estas questões: Washington D.C., por exemplo, aprovou uma lei que obriga as empresas de rede de transportes, como a Uber, a pagar uma taxa de 1% sobre todas as receitas de viagens que realizassem na cidade; em Seattle, estas mesmas empresas têm de pagar uma fee de 10 cents por cada viagem urbana feita.

Será a economia de partilha promotora de igualdade e inclusão? Para responder a esta pergunta, as cidades que participaram no estudo tentam compreender que populações beneficiam mais na sua participação, que impacto estes serviços podem ter em comunidades e indivíduos mais carenciados, qual o valor de recolher novos dados para identificar lacunas nos serviços e a qual a oportunidade de estabelecer programas de financiamento para serviços que são habitualmente sub-financiados, como a habitação social.

Para garantir a segurança, os sistemas de rating têm sido os mecanismos mais utilizados pelas plataformas de serviços de partilha, mas as cidades têm também feito esforços adicionais na definição de protocolos, que incluem nalguns casos inspecções (por exemplo, para o home sharing, de forma a garantir a segurança e qualidade dos edifícios), outras acções de verificação e também a exigência de seguro aos fornecedores (caso das plataformas de transporte).

A definição de regras e assegurar a sua implementação e cumprimento são áreas sensíveis na economia de partilha. À medida que a economia de partilha evolui, as cidades devem rever as suas leis. Envolver os cidadãos e os stakeholdersnestes processos é fundamental, apontam as cidades inquiridas, assim como o é ter em conta factores como a inovação, desenvolvimento económico, turismo, igualdade e inclusão e segurança.

“A economia de partilha só vai continuar a crescer e a mudar se as cidades servirem de laboratórios para estas tecnologias e modelos de negócio em constante mudança”, afirma o relatório. “Há uma grande expectativa com o crescimento rápido dos serviços de economia de partilha nas cidades norte-americanas, e o melhor que os responsáveis políticos podem fazer é manter uma mente aberta sobre como a nova economia pode ser frutífera, tendo um enquadramento regulamentar adequado em vigor ”, conclui.

O estudo pode ser consultado na íntegra aqui.

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