Nuno Canta em entrevista: “Aeroporto do Montijo será uma nova ponte Vasco da Gama”

Fonte: Distritoonline

nunocanta1Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo, quer continuar a fazer da intensa atividade cultural uma bandeira da cidade. Para o autarca, as medidas de austeridade não são a única solução para a crise e deve existir uma maior confluência de intenções entre o Estado e as autarquias. Em entrevista ao Distritonline, o edil abordou os temas mais prementes da atualidade montijense, desde o novo aeroporto e a revisão do PDM, à sua leitura acerca da importância do lazer na qualidade de vida da população.

Distritonline [DO]: Do ponto de vista do município, qual foi a importância das Festas Populares de São Pedro do Montijo?

Nuno Canta [NC]: Na minha opinião, tiveram uma importância fundamental e decisiva para a afirmação das nossas tradições, da nossa cultura e da nossa história. E, o balanço não podia ser mais positivo, porque superámos as expectativas que tínhamos traçado inicialmente, designadamente a barreira dos 300 mil visitantes.

DO: Para além da autarquia e da Comissão de Festas, as Festas Populares de São Pedro envolvem praticamente toda a população… Como é que consegue captar essa ajuda?

NC: É o resultado de um processo que começou quando assumimos a presidência da Câmara Municipal, durante o qual procurámos inverter a lógica de trabalhar com as pessoas e dar um ênfase maior ao setor privado, aos comerciantes, às associações e às coletividades. Acredito que essa postura permitiu gerar uma relação de confiança e de proximidade entre os diversos agentes locais que revelou-se, claramente, na organização e, consequente, concretização das Festas Populares de S. Pedro.

DO: A recuperação de diversas tradições ajudou a chamar mais pessoas à Festa?

NC: Penso que sim. Este é um evento que, acima de tudo, promove as tradições montijenses, os valores e a cultura do povo e, nesse sentido, apela ao bairrismo e chama as pessoas para a rua. As Festas do Montijo são efetivamente uma festa popular, ou seja, uma festa do povo, para o povo e com o povo.

DO: Este fim-de-semana regressou a iniciativa Montijo Lugar de Encontros, é caso para dizer que o Montijo está sempre em festa?

NC: O Montijo Lugar de Encontros é uma iniciativa que já existe há alguns anos e que temos procurado fortalecer com a ajuda dos comerciantes locais. E, não tenho dúvidas, de que é um elemento fundamental para equilibrar a dupla centralidade que existe, atualmente, no Montijo entre o Forum Montijo e o centro da cidade.

DO:A intensa atividade cultural constitui uma das marcas do concelho. Que papel desempenha, na sua opinião, o lazer na qualidade de vida da população?

NC: É muito importante, porque através da dinamização de diferentes atividades culturais conseguimos misturar diferentes culturais e diferentes pessoas, o que para nós é um fator de progresso. Até porque, não há culturas dispensáveis, todas as culturas são importantes e todas as pessoas são importantes. Por isso, com as Festas Populares de S. Pedro, com o Montijo Lugar de Encontros, com as festas que ocorrem nas diferentes freguesias – que temos apoiado, do ponto de vista financeiro, com mais intensidade – o que pretendemos é, acima de tudo, celebrar a diversidade, o encontro e a convivência com os outros. Por outro lado, acredito que com estas iniciativas as pessoas sentem-se mais enraizadas, mais envolvidas com a comunidade e, sobretudo, mais felizes.

DO: Como está Montijo, após ter tomado conta dos destinos da Câmara Municipal?

NC: Não estamos imunes à crise que se vive no país e a este clima de austeridade que foi instalado. Mas, defendo que é em momentos de maior dificuldade que precisamos mais da cultura. É preciso fomentarmos um espírito de mudança e isso só se consegue com a afirmação do que nós somos, por isso é que no Montijo apostamos cada vez mais nas manifestações culturais.

No entanto, temos famílias a atravessar sérias dificuldades que, com o auxílio das nossas redes de apoio e das inúmeras instituições de solidariedade social que temos no concelho, apoiamos o melhor que podemos e o melhor que conseguimos. Lamento que, da parte do Governo, não exista abertura para conseguirmos desenvolver uma política social ao nível local, ou seja, que não exista uma maior confluência de intenções entre o Estado e as autarquias.

Espero que o aeroporto para voos low-cost possa concretizar-se em breve, porque esse investimento – quer seja público ou privado – vai gerar cerca de 4500 postos de emprego indiretos, o que é fundamental para o Montijo.

DO: Em que ponto está o projeto de construção da nova estrutura aeroportuária na base do Montijo?

NC: O processo continua por decidir. Estão em curso uma série de estudos, mas era importante que houvesse uma decisão política. É de lamentar, que também a este nível, o Governo não corresponda aos anseios da Câmara Municipal e, no sentido lato, da região de Setúbal.

DO: Já foi entregue o caderno de reivindicações – ou seja, as obras e intervenções que a autarquia considera essenciais, a cargo do investidor, aos responsáveis da ANA?

NC: Sim, já entregámos um primeiro dossiê, que ainda não é um caderno completo e exaustivo, mas que já contém algumas questões que consideramos fundamentais para a instalação de uma infraestrutura aeroportuária no concelho, relacionadas com as acessibilidades, com a qualidade de vida e com a qualidade ambiental.

DO: Quais são as principais exigências da parte do município?

NC: Exigimos um novo acesso à ponte Vasco da Gama, um novo acesso da cidade à infraestrutura aeroportuária, a conclusão da circular externa do Montijo, a requalificação das salinas do Montijo, a construção de uma rede de águas e de tratamento de esgotos, bem como a melhoria dos transportes públicos.

DO: Acredita, portanto, que o aeroporto será uma nova ponte Vasco da Gama para o Montijo?

NC: Sim, acredito que terá um impacto muito parecido. A ponte Vasco da Gama foi um elemento decisivo para tornar-nos uma cidade atrativa para pessoas e para investimentos. E, o novo aeroporto continuará essa lógica de afirmação de atratividade do concelho.

DO: Mas teme que a solução a adotar para aumentar a capacidade aérea em Lisboa mude consoante o partido – ou partidos – do próximo Executivo?

NC: Não. Penso que começa a haver um consenso generalizado em relação a este aeroporto. O único dissenso que existe, a nível local e regional, é relativamente à CDU, que considera que o aeroporto não é adequado. Lamento que não consigam acompanhar o desenvolvimento da cidade e a necessidade de criar emprego.

DO: O que ainda falta fazer para aumentar o poder de atração e dinamizar a economia?

NC: Falta-nos, ainda, muita coisa, mas sobretudo investimento. Nós precisamos de ter mais investimento e que esse investimento corresponda aos anseios e, por outro lado, aos desafios que a cidade tem de enfrentar no século XXI.

Atualmente, estamos a desenvolver a revisão do PDM para tornar o nosso território ainda mais atrativo, designadamente aumentando as áreas para a fixação de indústria de logística no concelho. Apesar de a nossa base económica estar intimamente ligada à agriculta, à agroindústria e à floresta, nos últimos anos, com a construção da Ponte Vasco da Gama, várias empresas de referência nacional ligadas ao setor da logística escolheram sedear-se no Montijo, e é preciso incentivar esse processo.

DO: Recentemente foi apresentada publicamente a marca Lisbon South Bay. Teme que, com este Plano de Marketing Territorial, o Montijo fique à margem dos investimentos que possam vir para a Margem Sul?

NC: Não. Eu diria que a Moita, o Montijo e Alcochete têm um enquadramento diferente dos três concelhos – Almada, Barreiro e Seixal – que estão a promover essa marca. Por exemplo, nos últimos anos os concelhos do Barreiro e do Seixal perderam população, nós, pelo contrário, estamos num processo de ganho populacional, por isso o nosso enquadramento estratégico é diferente e, também, mais rural.

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