Oeiras quer tornar-se a primeira cidade analítica do país

Fonte: Smart Cities

Oeiras quer tornar-se na primeira cidade analítica do país, mas está consciente de que os desafios “são imensos”. “Não basta acumular dados em bases gigantescas, é preciso pensá-los, relacioná-los, interpretá-los e, sobretudo, partilhá-los”, reconheceu o autarca do município, Paulo Vistas, durante a conferência “Oeiras | A Smarter Future – uma perspectiva analítica”.

Oeiras 5

Para tornar o território mais analítico e inteligente, a câmara municipal vai levar a cabo o projecto “Oeiras Urban Analytics Hub”, encontrando-se, agora, a trabalhar com uma equipa da consultora de gestão Ernst & Young e uma outra da autarquia com o objectivo de representar um “exemplo para outros municípios portugueses e também no exterior”.

Até porque, “os dados não servem de nada guardados nos municípios”, lembrou Marco Painho, coordenador da pós-graduação em Smart Cities da NovaInformation Management School (Nova IMS). “Partir para uma iniciativa de ‘dados abertos’, como esta, é um acto de coragem e só é possível com muita transparência na governação, uma vez que todos os dados da administração local vão estar disponíveis, em bruto, para se poder olhar para eles e criar melhores serviços”, enfatizou.

A ambição do município tem, no entanto, vários fundamentos, na opinião do secretário de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, Miguel Castro Neto, desde logo porque “há vários anos que aposta na informação geográfica como factor diferenciador e potenciador de novas formas de tomar decisões”. E é por essa razão que tem “uma infra-estrutura de dados espaciais que alavanca este processo de uma maneira impressionante”.

Um dos responsáveis, aqui, é também o projecto europeu GeoSmartCity, levado a cabo pela empresa Municípia e do qual Oeiras faz parte, cujo objectivo é apoiar as cidades a partilhar os seus dados com profissionais e cidadãos, potenciando o desenvolvimento de serviços especializados.

Já na área do capital humano, apontado como um dos eixos fundamentais das cidades sustentáveis, Oeiras leva vantagem: é o município português com maior número de doutorados, por exemplo. Mas não só, tem “infra-estruturas únicas, reunindo no mesmo território empresas, academia, agricultura, turismo e praia”, destacou o secretário de Estado.

Inspirar Oeiras com soluções

Para ajudar o município a encontrar outras soluções à medida no campo do processamento de dados, como suporte à gestão urbana e à tomada de decisão, 19 entidades apresentaram, na conferência, diferentes iniciativas e projectos.

A IBM, por exemplo, que está a trabalhar com o Porto num projecto piloto que envolve uma plataforma para monitorizar, em tempo real, a baixa da cidade, acredita que a mesma solução teria aplicabilidade em Oeiras. “O Centro Operacional da IBM cria um dashboard da cidade com informações ao segundo para tomar decisões. São projectos que funcionam na cloud e utilizam muito as redes sociais”, explicou António Pires Santos, o líder da IBM Smarter Cities para Portugal, Espanha, Grécia e Israel. “Ver o que se está a passar na cidade é fundamental, os eventos têm de ser tratados em tempo real para se poder prever o que vai acontecer e actuar”, acrescentou.

No âmbito do turismo, a aplicação móvel de viagens Just in Time Tourist, da iClio, “pode fazer por Oeiras a mesma coisa que fez pelo Turismo do Centro de Portugal: conseguir cimentar a ideia de que Oeiras é mais do que a linha de costa, tendo outros motivos para se despender mais tempo na cidade”, assegurou Rui Nuno Castro, deputy CEO da iClio. Além disto, os guias turísticos da start-up portuguesa “contêm analítica que permite tomar decisões acertadas sobre a promoção de um destino turístico”.

Lembrando a dimensão humana de uma smart city, Tiago Oliveira, da Nova IMS, apresentou o projecto “Emotion & Stress Mapping” que se baseia na premissa de que “uma cidade verdadeiramente inteligente tem de saber o que as pessoas estão a sentir”. Basicamente, esta é uma metodologia que se apoia nos postsinseridos pelos munícipes em redes sociais como o Flickr, Facebook, Instagram e Twitter para analisar o padrão sentimental da cidade e perceber as reacções das pessoas.

“Qualquer cidade que tenha a capacidade de tornar os seus cidadãos cada vez mais felizes é, com certeza, uma cidade mais competitiva, justa, solidária, com uma gestão mais transparente e participativa. É essa a nossa vontade”, clarificou o presidente da câmara municipal de Oeiras.

Estratégias para as cidades

Na opinião de Paulo Vistas, “o futuro de uma cidade passa pela sua capacidade analítica, de gerar recursos, de ser eficiente e eficaz e, acima de tudo, ser um território de gente feliz”.

A construção de uma cidade analítica implica, contudo, “uma base comum de toda a cidade”, como explicou o secretário de Estado do Ordenamento do Território, que não se tem verificado em Portugal. “Temos soluções sectoriais mas não há uma visão abrangente de cidade analítica”, lamentou Castro Neto.

O Governo quer reverter este paradigma com a Estratégia Cidades Sustentáveis 2020, recentemente aprovada, e que tem como grande objectivo traçar um plano para as cidades portuguesas.

“A estratégia faz-se, cada vez mais, ao nível local, a Direcção-Geral do Território (DGT) tem tido um papel de orientação”, constatou Cristina Cavaco, sub-directora geral da DGT. “Os grandes actores são os municípios, empresas e cidadãos”, acrescentou.

Para uma governação estratégica e para se conhecer mais sobre o desempenho das cidades, a DGT está a implementar duas acções chave: o Fórum Cidades Sustentáveis 2020, que estará “disponível numa plataforma on-line em Setembro” e que vai promover o debate sobre o desenvolvimento urbano; e o Barómetro da Sustentabilidade Urbana que se vai basear na norma internacional ISO 37120 (define indicadores para orientar e medir o desempenho dos serviços e qualidade de vida numa cidade) a ser adoptada por Portugal “até ao final deste ano”.

A pensar na divulgação e aplicação de tecnologias “devidamente realizadas dentro de planos integrados”, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) lançou o desafio de criação de uma rede de cidades inteligentes. “Se há cidades que podem funcionar só por si relativamente a estas tecnologias, muitas outras têm de funcionar em rede”, evidenciou João Pereira Teixeira, presidente da CCDR-LVT.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s