Montijo / Afonsoeiro | Fernando Caria “As dificuldades começaram no inicio do meu mandato”

Fonte: Diário do Distrito

Fernando Caria, actualmente presidente da Junta de União de Freguesia do Montijo e Afonsoeiro, fez um balanço geral de um ano e oito meses do seu mandato.

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Ao longo de um ano e oito meses qual o balanço que faz no comando dos destinos da União de Freguesias do Montijo e Afonsoeiro?

O balanço que faço é extremamente positivo, se analisarmos as dificuldades criadas desde o inicio do nosso mandato e se considerarmos as dificuldades ao longo do mandato já depois do Executivo estar formado e pelo trabalho já realizado, tenho a certeza absoluta que é extremamente positivo o balanço que podemos fazer nesta altura.

Repare, temos cerca de oitenta por cento do nosso plano de actividades praticamente ao fim de um ano e oito meses feito, e como sabe esta União de Freguesias tem tido bastantes dificuldades e quase diárias. Mas felizmente com o nosso trabalho e com a nossa dedicação temos conseguido levar a bom porto tudo aquilo que nós nos propusemos fazer.

<<Não tivemos uma maioria absoluta, tivemos uma maioria relativa>>

Como foi trabalhar até o orçamento ser aprovado, uma vez que o mesmo no início não foi aprovado pela oposição…Como trabalhou o Executivo sem o orçamento que é tão fundamental para o dia a dia de uma Junta de Freguesia?

Antes de responder à sua questão eu vou recuar no tempo e recordar que as dificuldades começam muito antes do orçamento. As dificuldades com o Executivo que ganhou a Junta da União de Freguesias começam mesmo no inicio da formação do Executivo, nós não tivemos maioria absoluta, tivemos uma maioria relativa e aí ficamos dependentes de outros partidos e de outras forças políticas para formar o Executivo.

O Executivo é composto por sete elementos e nós só tínhamos seis, faltando um, as dificuldades começam precisamente nessa altura, quando nós mantivemos conversações com todas as forças políticas partidárias que concorreram connosco às eleições e que ficaram atrás de nós, propusemos variadas situações, falamos sobre tudo e nunca chegamos a qualquer acordo ou a qualquer consenso. A CDU desde o inicio dizia claramente que não ganhou e por isso não seria Executivo, dizia ainda que não inviabilizava mas que também não seria parte do Executivo. O PSD ainda andou arrastar e a dizer que iria conversar sobre o assunto, mas depois de várias reuniões, não houve qualquer tipo de acordo ou consenso connosco.

Até que o Bloco de Esquerda chegou e sendo a força minoritária de todos, tendo só dois elementos na Assembleia, e depois de ver todo o esforço que eu estava a fazer enquanto presidente de junta.

Porque o único em funções desde 27 de Setembro a 8 de Novembro era eu, sendo o cabeça de lista vencedor tive que tomar conta deste órgão, mas não tinha Executivo, cheguei ainda a propor com uma força política mais representação dessa mesma força no Executivo do que aquela que tinha ganho, só com o intuito de formar o Executivo e começarmos a trabalhar, mas nem isso foi aceite.

Num sábado à tarde iríamos ter mais uma reunião, porque eu fiz sempre reuniões com todos os partidos, o Cipriano Pisco do BE na entrada da porta disse que se ninguém desatasse o nó ele nesse mesmo dia iria desatar o nó.

Ele próprio fez uma proposta que eu achei curiosa, proposta essa feita às outras forças políticas e a última proposta que ele apresentou foi “se não concordarem com as minhas duas propostas, quero que vocês se vinculem aqui a viabilizar um Executivo formado pelo PS e BE”. Ele apanhou um pouco a CDU e o PSD naquele momento, que ficaram surpreendidos com a proposta e o que é certo é que a partir dessa reunião conseguimos formar o Executivo e começamos a trabalhar.

Depois desta dificuldade ultrapassada, nasce uma outra como todos viram com a inviabilização do orçamento, essa foi a coisa mais caricata que eu já vi na política. Desde Dezembro até Maio que tivemos sem orçamento sem qualquer justificação, eu não digo isto só por dizer, está escrito pelas próprias forças políticas, e há declarações de voto. Há orçamentos rejeitados, puro e simplesmente e eu continuo a dizer que está escrito nas declarações de voto dos partidos, que não votavam o orçamento porque eu no plano de actividades do próprio orçamento escrevia colaboradores e não trabalhadores e isso foi motivo para inviabilizar o orçamento.

Outro que também está escrito, não votavam o orçamento porque o presidente da Câmara Municipal era prepotente e não gostavam dele. O que é que a junta tem haver com esses problemas…e o facto de chamar colaborador a um trabalhador eu penso que o valor é igual, seja ele colaborador ou trabalhador, mas eu até alterei depois no orçamento seguinte, passando para trabalhador e não para colaborador e esse orçamento foi chumbado na mesma.

É um pouco inaceitável que numa freguesia que é a autarquia de maior proximidade com a população se rejeite um orçamento sem qualquer justificação ou qualquer reparo a esse mesmo orçamento, de Novembro, altura que eu comecei a reunir-me com a oposição, até ao orçamento ser aprovado, eu fiz inúmeras reuniões e posso-lhe garantir que há excessão de uma reunião que o PSD trouxe três ou quatro propostas, que eu das quatro aceitei três e fizeram parte do orçamento depois apresentado. A CDU nunca trouxe uma proposta, não trouxe nunca uma alteração, apenas dizia nas conversas que “continuamos a dizer que o Executivo não é nosso e não somos nós que vamos fazer o orçamento”, mas por outro lado eu pedia com muita insistência o porquê do orçamento não ser votado, o que é que está mal ou mesmo o que é que não concordavam… Nunca houve um pedido de alteração, nunca houve vontade, digamos assim, de contribuírem para aquele orçamento.

<<O problema nunca foi o orçamento da junta mas sim tentar pressionar a Câmara Municipal>>

Certamente seria com isso uma forma de pressionar o Executivo em funções a demitir-se e haver eleições?

Eu penso que eles nunca tiveram coragem para fazer o Executivo cair e ir para eleições. Salvo erro na primeira ou na segunda Assembleia de Freguesia que o orçamento foi rejeitado, nós até dizemos isso. Dizemos que se não queriam que fossemos Executivo que ganhassem coragem e deitassem o órgão abaixo que iríamos para eleições.

Eu acho que o grande problema do orçamento nunca foi o orçamento da junta, mas sim tentar pressionar a Câmara Municipal, juntarem àquilo que se estava a passar no Município para ter algum fundamento. Eu na minha opinião não acho bom o que estão a fazer com a inviabilização do orçamento da Câmara Municipal, mas foi a única sensação com que fiquei na rejeição do nosso orçamento para pressionar o Executivo camarário. Não viabilizamos o orçamento da junta como também não viabilizamos o da Câmara Municipal, o que não faz sentido.

O que mais me magoou nisto tudo, foi haver elementos da bancada do PSD que viram a urgência que havia para viabilizar o orçamento para que pudéssemos trabalhar para os nossos fregueses, falaram connosco, deram as suas ideias onde foi alterado alguns pontos no nosso orçamento e depois apresentamos, e no fim a própria direcção do PSD não permitiu que esses deputados desempenhassem o seu papel mais activo no trabalho em prol dos nossos fregueses.

Felizmente mesmo com essas ameaças que o PSD transmitiu aos seus deputados, mesmo com esses problemas todos, os deputados do PSD acabaram por viabilizar com a abstenção.

Como tem sido trabalhar ao lado do BE?

Eu já estava há espera que isto acontecesse, eu já conheço o Cipriano Pisco, temos um acordo escrito, mas ambos não estão assinados, porque a nossa palavra é suficiente e assumimos um compromisso.

O que é certo é que passados quase dois anos, eu posso dizer que as propostas do Executivo que foram às reuniões, houve duas que tiveram a abstenção do BE, a razão dessa abstenção é simples, foi a proposta onde apresentamos o primeiro orçamento que era fruto de um outro orçamento que tinha sido votado por abstenção na outra freguesia que era o Afonsoeiro e com a agregação das freguesias tivemos que juntar os dois num e fez todo o sentido a abstenção do BE.

A outra foi relacionada com isso, mas dai para a frente as propostas tem sido votadas por unanimidade. Existe um compromisso entre ambos, antes das propostas serem submetidas nas reuniões eu e o Pisco discutimos em conjunto e depois é que são colocadas no papel para serem apresentadas na reunião de Executivo e por isso mesmo as propostas tem sido votadas por unanimidade. As propostas são tão solidas que as reuniões existem porque tem mesmo que existir.

Existe uma cooperação muito forte entre o PS e o BE, nós aqui trabalhamos para a freguesia.

Como vê actualmente o desenvolvimento da cidade do Montijo?

Com toda a sinceridade e não puxando a brasa à minha sardinha, eu fui um apoiante e sou um apoiante incondicional do presidente da Câmara Municipal , com as dificuldades também acrescidas e como sabe em relação ao orçamento que ainda não foi aprovado na parte da Câmara e a terem uma minoria e corroboro com o senhor presidente da Câmara quando diz haver uma maioria negativa na Câmara Municipal constituída pela oposição PSD e CDU que não têm colaborado no meu ponto de vista em prol da cidade do Montijo. Mas pronto, muitas das vezes a política é assim, mas mesmo assim e atendendo às dificuldades acho que tem sido um bom mandato. O presidente da Câmara tem feito um esforço acrescido para tentar recuperar, digamos assim, o tempo que se perde com a não viabilização do orçamento.

Existem muita coisa para fazer, temos um problema bastante grande na cidade do Montijo que é a falta de trabalhadores para termos o desempenho exigido, como a recolha de lixos, cada vez há menos jardineiros. Existe uma serie de situações que estão a dificultar certos trabalhos, como sabe não podemos fazer contratações públicas que condicionam o nosso trabalho e que não nos favorecem de maneira alguma.

Mas no entanto se fizermos um balanço autárquico da parte da autarquia eu consideraria que tem sido muito positivo e com tendência a ficar ainda melhor todo o trabalho que tem sido desenvolvido pelo presidente e pela equipa que o segue.

E toda a gente vê que nestes quase dois anos de mandato camarário o envolvimento da população com a Câmara Municipal tem surtido efeito, dou-lhe vários exemplos, as animações de rua, a Feira Quinhentista que foi outro projecto que foi um êxito e este ano vai repetir-se, o anim`arte, os Lugares de Encontros, o Passeio Ribeirinho… há uma serie de situações que as pessoas têm vindo e têm colaborado connosco.

As Festas de S. Pedro que teve uma participação maciça de toda a população, instituições e as tertúlias, tem sido muito bom.

A cidade do Montijo está ao abandono como várias pessoas dizem nas redes sociais?

O Montijo não está abandonado, o Montijo está com as dificuldades como lhe disse na questão atrás, actualmente temos falta de pessoas para trabalhar no público. Como podemos funcionar a serio quando tenho uma Junta de Freguesia que tem oitenta por cento da população do concelho do Montijo, esta percentagem é fruto da tal agregação das freguesias do Afonsoeiro e Montijo e que no Afonsoeiro havia um presidente de junta que estava a meio tempo, no Montijo havia um presidente de junta que estava a tempo inteiro e que faria todo o sentido que quando houvesse essa agregação que se mantivesse o presidente a um tempo e meio, o que não é verdade…eles retiraram o meio tempo que o Afonsoeiro tinha e a única pessoa que está aqui a tempo inteiro no Executivo sou eu, enquanto os outros colegas que estão no Executivo não estão a tempo inteiro e não têm qualquer tipo de vencimento nem qualquer regalia por estarem aqui, a única coisa que existe para eles é uma senha de presença na reunião.

Actualmente tenho quatro funcionários administrativos no Montijo e dois funcionários administrativos no Afonsoeiro. Tenho um acordo de execução com a Câmara do Montijo, mas como somos praticamente sede do concelho nem foi visto, porque entendemos que não era urgente fazer isso, não temos ninguém sem ser o presidente a trabalhar.

Eu já tentei fazer uma contratação de alguém que nos possa apoiar nas escolas, nas competências que inclusive este Governo nos obrigou a ter sem haver qualquer contrapartida. Como é que nós podemos por as coisas andar, como é que uma lei pode dar uma competência por exemplo à junta quando não dá os meios nem financeiros nem humanos para que se possa concretizar essa competência.

Não concordo que o Montijo esteja ao abandono, está efectivamente com algumas dificuldades, logicamente que todos nós gostaríamos ter isto de uma forma diferente, termos a cidade do Montijo muito mais, digamos, trabalhada mas não é possível e dentro daquilo que temos hipóteses e o esforço tem sido também muito grande da parte da Câmara Municipal. A erva poderá crescer um bocadinho aqui, mas depois iremos cortar.

A situação tem que ser dita, toda a gente critica e muitas vezes há situações que não se podem controlar no imediato, mas por exemplo, eu não posso aceitar quando se critica, não só no Facebook mas até na própria Câmara e até os próprios vereadores da oposição que às vezes criticam que o Montijo não tem os cuidados que devia de ter na parte dos jardins e que as ervas cresceram mais um pouquinho… e depois o presidente de Câmara leva uma proposta para se contratar uma empresa para atenuar estas situações enquanto não se resolve o problema da função pública, enquanto não se puder fazer contratações na função pública, e eles rejeitam, eles reprovam essas mesmas propostas. Não sei como é que se pode resolver a situação, não querem ir para o privado, mas se na parte pública não se pode contratar ninguém, vamos deixar isto crescer?

Não concordo uma vez mais que se diga que o Montijo esteja ao abandono e as pessoas sabem que não é bem assim. Poderá haver dificuldades em resolver no imediato mas ao abandono não está, nem de perto nem de longe.

A nível de cultura, o Montijo está mais dinâmico? Qual a sua opinião?

Não querendo fazer comparações com este Executivo e o Executivo anterior, a única coisa que eu posso constatar e que posso afirmar por experiência própria e por participação também, é que esta Câmara Municipal e o senhor presidente tem dado uma forma diferente e tem conseguido trazer mais cultura ao Montijo. Voltou a trazer à cidade a cultura e dinâmica que todos nós Montijenses gostámos de ter, e o que é certo é que nós temos visto o Montijo com uma animação bastante forte.

Mais importante que isso tudo, é que não basta só fazermos animação por fazermos, digamos que estamos a ir ao encontro das pessoas e a fazer aquilo que as pessoas efectivamente mais gostavam que acontecesse. Temos exemplos disso e vocês têm testemunhado isso, porque o que temos feito no Montijo é da satisfação de toda a população e temos encontrado as ruas e os recintos onde os espectáculos acontecem completamente cheios, sendo que a satisfação é notória.

As pessoas manifestam essa satisfação nas redes sociais, embora eu não acompanhe as redes sociais porque não tenho Facebook, porque acho que não devo de ter, mas nas redes sociais ou através de mensagens que fazem chegar para a Câmara Municipal e para a Junta da União de Freguesias, demonstram essa satisfação e o desejo de que se continue a trabalhar neste sentido e que não seja uma coisa que aconteça hoje e já não se faça mais.

Repare, a grande viragem foi com a Feira Quinhentista e com a Animar`te e este ano vamos ter novamente em Setembro a Feira Quinhentista, mas já tivemos a Animar`te e o Lugar de Encontros e as pessoas estão a habituar-se a este tipo de manifestação cultural na nossa cidade. É importante que a população do Montijo saiba que a partir dos meses onde começa apetecer sair de casa, haja em recintos ou ao ar livre este tipo de eventos.

Como está toda a situação do processo do autocarro da Junta de Freguesia?

Estou completamente à vontade com essa situação toda, foi uma das situações que eu fiquei estupefacto com o que se pode fazer em termos de política…nem quero classificar.

O que é certo, é que o PSD apresentou uma queixa contra mim e contra o senhor presidente da Câmara Municipal, e é ai que eu acho que as pessoas tem que fazer política honesta e não vale tudo para tentarmos chegar a qualquer meta que possamos traçar.

Mesmo que houvesse alguma razão mas que não há, de alguma ilegalidade em relação ao uso do autocarro naquela viagem que nós fizemos, quem teria que ser responsabilizado seria sempre o presidente da junta, porque o autocarro é da junta, a organização foi da junta e não faz sentido que se faça queixa do presidente da junta e do presidente da Câmara Municipal.

Isto só acontece porque a má política e o vale tudo para atingir determinado meio acontece com alguma frequência em pessoas que no meu ponto de vista, e digo isso com toda a sinceridade, não estão preparadas para trabalhar em prol de uma população. Acho que mesmo que não se ganhe uma eleição, mesmo que se faça parte da oposição, essa oposição pode perfeitamente trabalhar em prol de uma cidade e em prol de uma freguesia, e isso não está a acontecer.

A queixa foi feita, e eu já por duas vezes respondi à Polícia Judiciária de Setúbal, já fiz chegar os documentos que tinha que fazer chegar e continuo em pávido e sereno à espera da conclusão que tenho quase a certeza e não posso dizer mais do que isto, porque não sou eu que sou o juiz e não sou eu que vou julgar, mas face aos dados que nós temos, face aquilo que aconteceu na realidade, nada de ilegal foi cometido e em breves instantes posso dizer o que aconteceu…

Nós compramos um autocarro e a exemplo do que aconteceu há dezasseis anos atrás aquando da primeira compra de um autocarro para a freguesia do Montijo, nós fizemos uma viagem inaugural que foi dividida por duas fases. A primeira foi para os protocolos que existem, oferecemos aos deputados da Assembleia Municipal e da Assembleia de Freguesia, aos vereadores da Câmara, aí demos uma volta pela cidade.

A segunda fase, foi uma viagem que fizemos com os colaboradores e trabalhadores da junta.

Dezasseis anos depois, quando compramos este novo autocarro e por termos a certeza de que o autocarro era superior ao anterior, e por sabermos da necessidade que este autocarro tinha para esta freguesia, uma vez que o antigo autocarro tinha capacidade de 27 lugares e já não servia para uma visita de estudo das escolas, pois as turmas já são muito grandes e nós sabendo dessa importância, quando adquirimos o autocarro quisemos faze-lo, mostrando à freguesia que tínhamos feito mais uma grande compra para colocar ao serviço da freguesia.

Como a Câmara contribuiu com 120 mil euros para a compra deste autocarro , entendemos que quando fizemos a inauguração convidaríamos toda a vereação da Câmara Municipal, e eu digo toda a vereação porque os convites foram feitos para os vereadores do PS, para os vereadores da CDU e os vereadores do PSD e para o presidente da Câmara. Porque a Câmara contribuiu para o autocarro, e fizemos a inauguração de dois dias, combinamos para estarmos aqui na Junta de Freguesia, veio o padre Carlos que fez a benção ao autocarro e partimos para dar uma volta pela freguesia , havendo depois um catering na delegação do Afonsoeiro.

De todos os convites que nós fizemos aos vereadores e aos deputados da Assembleia Municipal e de Freguesia, apenas duas pessoas tiveram a amabilidade de nos responder a dizer que por motivos pessoais não estariam presentes, foi o senhor vereador do PSD, o senhor João Paulo Dinis e a senhora presidente da Assembleia Municipal, Dra. Maria Amélia.

No segundo momento, foram convidados os colaboradores e os trabalhadores da junta, juntamente com o Executivo e com os vereadores que estavam convidados para a véspera, convite esse para virem connosco fazer uma viagem mais longa. E porque é que isso acontece, este convite para o segundo momento… Toda a gente sabe que há três ou quatro anos, os trabalhadores da função pública não têm qualquer tipo de aumento no vencimento, progressão na carreira, condições essas que foram congeladas, todas as regalias e direitos que tinham foram congeladas, e eu desde que estou aqui nesta junta como presidente tenho verificado que os trabalhadores desta casa mesmo com estas condições negativas que estão a ter, poderiam ficar mais desanimados, ficar com problemas que todos temos em casa uma vez que o dinheiro é cada vez menos e os encargos cada vez são mais, mas tem tido um trabalho incansável nesta junta. Nunca vi uma má vontade seja de quem for aqui.

Nós temos seis funcionários nas duas freguesias, na delegação e na sede, e são administrativos, nós precisamos de uma serie de colaboradores para nos apoiarem naquilo que nós fazemos e temos tido trabalhadores da Câmara que após o horário laboral vêm colaborar connosco gratuitamente.

Acho que é de toda e inteira justiça, nós na inauguração de um autocarro que é um bem que nós queremos mostrar a toda a população, que os convidássemos para essa viagem inaugural e que fossem os trabalhadores da junta, os colaboradores e os próprios elementos do Executivo, que há excessão do presidente do Executivo estão aqui sem qualquer remuneração fixa, recebem uma senha que são 25,65 euros de cada reunião que se faz, e são feitas duas reuniões por mês.

O que acontece é que a viagem é feita e fomos a Castelo de Vide e à Feira da Castanha. Nós levamos à reunião do Executivo uma proposta para que ficasse assente o que é que nós iríamos fazer, proposta essa já com os custos assegurados e a proposta foi aprovada, além das despesas do combustível do autocarro e das portagens, a Junta de Freguesia do Montijo e Afonsoeiro suportou o almoço aos nossos convidados, e essa despesa para esse dia, com portagens, combustível e almoço ficou em 575 ou 577 euros, foi o que nos custou essa viagem. O PSD meteu um processo em tribunal onde nos acusa de uso de Peculato e que usamos o dinheiro dos contribuintes para nós. A única coisa que respondi quando apareceu a noticia foi que um dos colaboradores que trabalha na Câmara e que após as 18:00 vêm-nos ajudar, se apresentasse as contas do que tem feito à junta, vinte vezes do eu gastei na viagem não daria para pagar só a esse colaborador. Foi com toda a justiça eu ter oferecido essa viagem aos trabalhadores da junta e não foi portanto qualquer abuso de poder nem uso de dinheiros em beneficio próprio.

Uma das bandeiras que temos aqui, é gerirmos os dinheiros públicos da mesma forma que gerimos os dinheiros da nossa casa e só assim é que estamos a conseguir fazer o que estamos a fazer, conseguirmos apoiar as famílias carenciadas como estamos a apoiar e da forma como estamos a apoiar. Estamos com uma ajuda mensal na ordem dos 2 mil a 3 mil euros em ajudas a essas famílias que estão registadas.

Por isso voltando à questão que me colocou, acho que é no mínimo ridículo para não dizer que é de má fé a atitude que os dirigentes do PSD e felizmente que nem todos estão de acordo com aquilo que eles fizeram, mas isso só prova que a política muita das vezes vai por caminhos que eu acho que não deve de ir, mas isto é a minha opinião.

Do que espera do processo?

Eu estou a aguardar, como já lhe disse, estou tranquilo e espero que se faça o que é normal se fazer em casos destes. Isto não pode nem tem pernas para ir a lado nenhum, a não ser que eu também me possa chatear e depois do desfecho desta situação possa ser eu a fazer alguma coisa e a perguntar “e agora como é que é”. Neste momento estou a aguardar e digo-lhe uma coisa, vai gastar mais a Junta de Freguesia em advogados para tratar deste caso do que gastamos nessa deslocação que oferecemos aos nossos colaboradores.

Como é que analisa a política actual na cidade do Montijo?

Eu não queria muito entrar por esse campo, porque cada um sabe de si, mas não apontando nada a ninguém, acho que a política no Montijo faz falta, agora o que eu acho é que a política nesta cidade deveria de olhar mais para o Montijo.

Cada um poderá defender a sua ideologia e seus interesses e o que acha que está mais ou menos correcto, mas a partir de uma certa altura, e essa altura é a partir das eleições e do veredicto que as pessoas deram nas urnas, a política deveria de ser em prol da cidade e em prol da freguesia.

Isso seja qual for o partido que ganhe tem toda a legitimidade, porque as pessoas votaram nesse partido, quer ganhe por muito quer ganhe por pouco , votaram maioritariamente nesse partido e é esse partido que tem que dirigir.

E os partidos que não ganharam, tem que colaborar e tem que se sentar à mesa e tem que discutir, porque o que está em causa a partir daquele momento é o futuro da cidade do Montijo. Passados os quatro anos de mandato as pessoas farão o juízo e dirão se mereceram ou não a sua confiança.

Se não fizeram aquilo que as pessoas estavam à espera que fizessem ou que esse partido que ganhou prometeu e não cumpriu, levará efectivamente o castigo que terá que levar. Mas isso são as pessoas que vão decidir, agora, depois de um partido ganhar, esse partido tem o direito e o dever de trabalhar à vontade.

Neste caso concreto não estão a deixar o PS, nem o presidente da Câmara trabalhar em prol da sua cidade.

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