O perigo de uma nova guerra por José Caria

josecariaA situação internacional está marcada, no essencial, pelos seguintes aspectos principais:

As consequências do desaparecimento da URSS e das derrotas do socialismo e a contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo para recuperar as posições perdidas ao longo do século XX e impor a sua hegemonia mundial;

O aprofundamento da crise estrutural do capitalismo em que se inscreve a profunda e prolongada crise cíclica despoletada em 2008 nos EUA e a crise da e na União Europeia cada vez mais difícil de disfarçar;

Um gigantesco processo de rearrumação de forças em que o declínio relativo dos EUA (e das potências do G7) e a ascensão económica da China (e do conjunto dos BRICS) são elementos relevantes;

O prosseguimento da resistência e da luta libertadora dos trabalhadores e dos povos, nomeadamente na Europa que, não estando ainda ao nível da ofensiva do grande capital, é uma realidade que deve ser valorizada e que se tem traduzido em avanços, nomeadamente na América Latina.

Lutamos em tempos de grande instabilidade e incerteza em que é cada vez mais evidente que os sectores mais reaccionários e agressivos do imperialismo jogam no fascismo e na guerra como «saída» para a crise do capitalismo.

Na Europa, a escalada militarista de confrontação com a Rússia é particularmente inquietante.

Os EUA estacionam armamento pesado nos novos países das OTAN no Leste Europeu, que integraram a esfera de influência da União Soviética.

O Japão aprovou um aumento das despesas militares e um plano de rearmamento a médio-prazo, no quadro de uma nova Estratégia de Segurança Nacional. Esta, sob o lema de “pacifismo proactivo”, é uma resposta às tensões e às mudanças no equilíbrio político-militar no Pacífico e, designadamente, às ameaças que Tóquio considera mais agudas — o crescente poderio da China e o poder nuclear da Coreia do Norte.

Índia e Paquistão suscitam sérias apreensões e preocupações (Caxemira e poderes nucleares…) ;

Síria,Iraque,Tunísia são autênticos barris de pólvora cujos efeitos se fazem já sentir por toda a Europa;

O perigo de uma nova guerra de catastróficas dimensões é real.

As lições da II Guerra Mundial não devem ser esquecidas.

Mas a guerra não é inevitável.

Trabalhar para erguer uma ampla frente anti-imperialista certos de que a luta pela paz e contra o fascismo e a guerra e a luta pelo progresso social e o socialismo estão interligadas.

Uma frente que, como a experiência histórica mostra, será tanto mais ampla e consequente quanto mais fundas forem as suas raízes na realidade e na luta popular dos diferentes países. A maior contribuição que cada povo pode dar para o combate anti-imperialista e para a causa universal da paz e do progresso social, é o avanço da luta libertadora no seu próprio país.

Consideramos necessário prestar particular atenção ao rápido e profundo processo de rearrumação de forças que se está a operar no mundo, quer pelas agudas tensões que suscita – com o imperialismo norte-americano a defender por todos os meios uma hegemonia que lhes escapa –, quer sobretudo pelos obstáculos que levanta ao propósito dos EUA e da NATO, em conjunto com os seus aliados da UE e do Japão, de submeter o mundo.

O desenvolvimento do capitalismo com uma inédita concentração do poder económico e do poder político alarga substancialmente o campo das classes e camadas sociais interessadas na liquidação do poder dos monopólios e do imperialismo e gera contradições e tensões que têm frequentemente dado lugar a grandes explosões de descontentamento. Mas tais explosões e os movimentos políticos que por vezes suscitam são efémeros e inconsequentes se não forem acompanhados por uma clara perspectiva de transformação progressista e revolucionária e são facilmente recuperados pelas forças do capital.

A evolução do sistema capitalista e das grandes contradições do mundo contemporâneo tendem a deslocar para outros continentes as perspectivas de ruptura anti-imperialista e de transformação revolucionária.

O anacronismo das concepções eurocentristas é cada vez mais evidente.

Na Europa o espaço nacional de luta é determinante.

A ideia de que em tempo de globalização imperialista só pode conceber-se a transformação social no plano supranacional e que o espaço nacional se tornou caduco, causou (e continua a causar) prejuízos . Conduz a subestimar o problema da soberania nacional e da luta contra imposições do capital transnacional e das grandes potências.

A estreiteza nacional, a adopção de concepções autárcicas é tão negativa como o é o cosmopolitismo supranacional fomentado pela classe dominante para desenraizar e tornar inofensivas as forças que põem em causa o seu poder.

 

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