Cidades sustentáveis: E se pudesse ir buscar as alfaces ao topo do seu prédio?

Fonte: ambienteonline

A colocação de estufas com culturas hidropónicas [que usam substrato em vez de solo], como a alface, por exemplo, no topo dos prédios ajuda os edifícios a manter o isolamento térmico permitindo poupanças de energia. Por outro lado, salienta o professor e investigador Paulo Ferrão, tem a vantagem de promover a produção local de alimentos na cidade com benefícios ambientais e económicos. “Pode ser um bom negócio a explorar por parte de alguns cidadãos”, sugere em declarações ao Ambiente Online.

Este é um dos cenários que está a ser ponderado no “SusCity”, um projecto que tem como objectivo conceber cidades sustentáveis. É financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito do programa MIT Portugal e conta com a colaboração de várias universidades e instituições como o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), Adene, EDP, Nester, Câmara Municipal de Lisboa e Junta de Freguesia dos Olivais, zona da capital que está a servir de base ao estudo.

Nos Olivais e Parque das Nações, a zona onde incide o estudo, há muitos edifícios com os tectos planos, condição ideal para a implementação desta solução, realça o investigador. Com este tipo de cultura é possível produzir três vezes mais alfaces do que a necessidade de um prédio de grande dimensão.

O consumo de alimentos é apenas uma das variáveis estudada no projecto a par de outras necessidades da comunidade como energia, água, bens e serviços e materiais. Os resíduos produzidos, as águas residuais e as emissões de CO2 também são ponderados nesta equação.

“Procurámos definir o modelo de funcionamento de uma cidade e modelar o seu metabolismo, isto é, os consumos de energia e materiais indo ao detalhe de cada edifício, estudando a interacção entre os edifícios e depois calculando o valor global dos consumos para a cidade”, explica. Para o efeito os edifícios da área foram classificados tendo em conta a altura, área e período de construção de forma a que mais facilmente possam ser delineadas estratégias.

“O que queremos fazer é testar diferentes alternativas de investimento na cidade tanto ao nível dos edifícios, como em termos de mobilidade, gestão e comportamento contribuindo para torná-la mais sustentável”, sublinha. A ideia é que na cidade continue a existir o mesmo conforto, mas com menor consumo de recursos, materiais e energia.

O SusCity pretende ainda ajudar o cidadão a ser empreendedor. “O objectivo é disponibilizar um conjunto de ideias e informação que possa ajudar as pessoas a criar o seu próprio negócio. Criar estufas no topo dos edifícios é apenas um exemplo. Esta dimensão corresponde a um grande objectivo do projecto. Com uma ideia académica é possível criar valor”, ilustra.

O projecto arrancou em Janeiro e tem uma duração de três anos. Parte da zona que constitui o caso de estudo requer conversão, o que poderá ser pensado no âmbito deste projecto de forma a fazer a “optimização do espaço global”, informa Paulo Ferrão.

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