Opinião | Desafios para as cidades do futuro por Mafalda Freitas

Fonte: Diário Económico

São inúmeras as forças que convergem para fazer das ‘smart cities’ uma tendência global. Fortes movimentos migratórios para as cidades – em busca de maior empregabilidade, melhor acesso a educação e saúde, e mais opções de entretenimento, cultura e lazer -, condicionam a gestão de recursos escassos, que devem responder a exigências e expetativas crescentes no que respeita a infraestruturas, emprego, segurança e transportes.

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Acresce a complexidade dos atuais desafios ambientais (nas cidades são gerados três quartos das emissões de co2, pelo que deverá ser nas cidades que se deverá reverter nessa tendência). Paralelamente, as cidades competem hoje entre si na captação de investimentos, de empresas e do melhor talento, que são motores do desenvolvimento de ambientes de negócios, sociais e culturais estimulantes, criativos e geradores de crescimento. Na competição para atrair o(s) melhor(es), ganha a cidade mais aberta e tolerante, com maior dinamismo, com melhores incentivos, a cidade que facilita e integra.

Vivemos, ainda, num período de transformações tecnológicas importantes e permanentes, sentidas por todos. Os custos de recolher, comunicar e analisar dados diminuíram ao mesmo ritmo que o conhecimento e a oferta aumentaram – ‘apps’, ‘social media’, ‘cloud computing’, ‘big data’ – terminologias na ordem do dia e fontes de comunicação, agregação e tratamento de dados inestimáveis. Muitas das infraestruturas e das bases tecnológicas fazem já hoje parte do nosso mundo, e impulsionam a criação de soluções e serviços inovadores. As ‘smart cities’ são hoje, por isto mesmo, (mais que uma possibilidade) um imperativo de eficiência, sustentabilidade, atratividade e qualidade no quotidiano dos cidadãos.

Apesar dos fatores impulsionadores, o caminho para uma ‘smart city’ impõe diversos desafios, como sejam:

– A tradicional cultura ‘compartimentada’ de resposta a desafios deverá dar lugar a um esforço colaborativo e a abordagens holísticas e integradas na resposta às diversas componentes de atuação;

– Modelos de financiamento alternativos e criativos deverão ser equacionados – aqui, as parcerias (partilha de custos e receitas) serão chave;

– A oferta de serviços deverá ser integrada – para facilitar a vida dos cidadãos -, e os dados da cidade deverão ser partilhados – ‘open data’, para aumentar a transparência e eficiência na gestão urbana;

– Os cidadãos serão parte essencial da mudança e deverão ser envolvidos – informação, formação e comunicação bilateral são fatores determinantes;

– A visão para o futuro deverá ser clara e continuamente abraçada e apoiada, de forma sólida e institucional.

Com a dose certa de planeamento e investimento, e a resposta apropriada a cada desafio, as nossas cidades poderão ser mais habitáveis, mais funcionais e mais sustentáveis.

O (caminho para o) futuro está, inteiramente, nas nossas mãos.

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