Opinião | Um Aldeano na Restauração do Concelho de Palmela por Francisco Correia

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Comemora-se, no dia 1 de Novembro, a Restauração do concelho de Palmela, anexado que esteve, durante 70 anos, ao concelho de Setúbal, mais concretamente, entre 24 de Outubro de 1855 e 1 de Novembro de 1926.

Encurralado entre a serra, o mar e o rio, o concelho de Setúbal sempre teve, e ainda hoje tem, uma enorme limitação geográfica, com uma área nada conducente com o seu desenvolvimento demográfico.

No ano de 1840, aquando da instituição das 3 comarcas judiciais da margem sul, Aldeia Galega do Ribatejo, Almada e Setúbal, o número de fogos só do concelho de Setúbal andaria pelos 3.347, contra os 1.053 de Palmela, concelho pertencente à Comarca de Setúbal, ou mesmo os 1086 fogos de Aldeia Galega do Ribatejo e os 2.592 fogos de Almada, as duas outras sedes de Comarca. Se multiplicarmos o número de fogos por 4 – equivalência habitual, à época – teremos o número estimado de habitantes.

No ano de 1855, a área do concelho de Palmela era a melhor hipótese de expansão para o concelho de Setúbal, e a extinção, em 1834, do seu principal motor desenvolvimento, a Ordem de Santiago, fragilizou-lhe, mais ainda. No legislador, certamente estaria a ideia que Palmela, amputada da sua Ordem Militar, rapidamente definharia.

Mas tal não viria a acontecer e Palmela manteve e consolidou os seus padrões económicos e demográficos. E ao longo dos quase 70 anos de duração desta integração no concelho de Setúbal, nunca os palmelenses deixaram de clamar pela sua autonomia administrativa.

Nos anos 20 do século passado, um grupo de cidadãos organizados no chamado “Movimento pró concelho de Palmela” não viram o seu esforço gorado, podendo finalmente festejar o momento tão ansiosamente desejado e para o qual tanto se esforçaram: a restauração do concelho de Palmela, promulgado no dia 1 de Novembro de 1926.

Faziam parte deste “Movimento” nomes como Joaquim José de Carvalho, o padre Moisés da Silva, Manuel Machado de Oliveira, Agostinho Augusto Pereira, Pedro Augusto da Fonseca e Vítor Leão Pacheco, principais obreiros da restauração do seu concelho de Palmela.

De entre estes nomes, permitam-me que vos fale um pouco do Padre Moisés da Silva, meu conterrâneo da antiga Aldeia Galega do Ribatejo, actual cidade do Montijo, e que a partir de 1924, ano da sua nomeação como pároco de Palmela, assumiu como sua a causa palmelense da restauração do seu antigo concelho.

O Padre Moisés da Silva nasceu na Rua do Poço (actual Rua Machado dos Santos), n.º 56, da freguesia do Divino Espírito Santo da vila de Aldeia Galega do Ribatejo (actual freguesia do Montijo), no dia 10 de Junho de 1888, filho de Filipe da Silva, sapateiro, exposto da Misericórdia de Lisboa, e de sua mulher, Francisca Rita da Silva, dona de casa, natural do lugar da Ribeira do Pereiro, freguesia de Alpedriz, concelho de Alcobaça.

Fez os seus estudos nos Seminários de S. Vicente de Fora, em Lisboa, entre 1900 e 1903, e a partir dessa data, no Seminário de Santarém.

Foi ordenado presbítero em 17 de Dezembro de 1910, após o que exerceu o cargo de coadjutor em Aldeia Galega do Ribatejo (pelo período de 6 meses), passando a pároco de Alcobertas, freguesia de Rio Maior, durante 14 anos e 3 meses.

Foi nomeado pároco de Palmela em 16 de Novembro de 1924, e a partir de 1931 obteve licença para celebrar missa, para além da Igreja de S. Pedro e S. Maria, em Palmela, igualmente, na igreja da Quinta do Anjo. O Padre Moisés da Silva recebeu, em 1930, um louvor pelos serviços à causa do Ensino Popular (Ver Diário da República, 24/1/1930).

Permaneceu como pároco de Palmela até 24 de Abril de 1933, data em que é nomeado pároco de Cascais. Em Cascais, o Padre Moisés da Silva fez um trabalho meritório na área da solidariedade, tendo sido Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Cascais (por 6 anos) e Presidente da Assembleia-Geral da mesma Misericórdia, tendo sido agraciado com a ordem da benevolência.

Faleceu em Cascais no dia 18 de Fevereiro de 1951, com 62 anos. A sua memória foi perpetuada na cidade de Cascais na toponímia, com uma rua, a rua Padre Moisés da Silva, onde se situa a delegação de saúde de Cascais.

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