Equipamentos de aquecimento: Mais renováveis e eficientes

Fonte: Smart Cities

A escolha do tipo de aquecimento a utilizar numa habitação exige uma avaliação ponderada, na qual devem pesar fatores como a orientação solar; o potencial de aproveitamento da climatização passiva; a dimensão da casa ou as divisões mais utilizadas, considerando o seu volume.

aquecimentocasa

De uma forma geral, o parque edificado português é energeticamente ineficiente (com 70% dos edifícios anteriores a 1990 e apenas 6,5% reabilitados). As condições de desconforto térmico dentro de casa levam muitas famílias a recorrer à solução mais imediata: a climatização mecânica ou artificial. Estima-se que os sistemas de climatização (de aquecimento ou arrefecimento) contribuam com cerca de 17% para o consumo energético global da uma habitação.

Dentro dos sistemas de climatização fixa há que considerar, a par das soluções tradicionais a gás (aquecimento central, p.ex.) ou a electricidade (ar condicionado), os vários sistemas que recorrem a fontes de energia renováveis, desde a solar à biomassa.

Água quente solar pode levar a poupanças de 75%

Falando de energia solar, Portugal é um país beneficiado ao atingir as 3000 horas de sol por ano em algumas regiões. Temos um dos índices mais elevados de radiação solar por unidade superfície da Europa, faltando contudo aproveitar uma grande margem do potencial deste recurso energético limpo, inesgotável e sem impactes ambientais.

Num edifício ou infra-estrutura, a água quente solar pode ser utilizada para produzir água quente sanitária (duches e torneiras), para o aquecimento de piscinas e ainda no apoio aos sistemas de aquecimento central.

Apostar numa das muitas soluções já disponíveis no mercado para o efeito traz vantagens ambientais, mas não só. Há também benefícios económicos, permitindo uma redução média de 75% das despesas com água quente sanitária. Nos meses de maior radiação, pode chegar aos 100%.

Por outro lado, a tecnologia é versátil, podendo ser aplicada em habitações unifamiliares e colectivas ou serviços como restaurantes, hotéis, hospitais, escolas ou pavilhões desportivos.

As soluções no mercado têm vindo a aliar a poupança ao conforto do consumidor, permitindo recuperar o investimento em pouco tempo. Por exemplo, os esquentadores termoestáticos com tecnologia de condensação e compatíveis com instalações solares. Ao recorrerem a água pré-aquecida por um coletor solar térmico, só utilizam o gás se a temperatura definida for superior à da água que vem do painel solar térmico. As poupanças em gás podem chegar aos 35% e, uma vez que permitem ter água quente à temperatura certa mal se abre a torneira, podem ajudar a economizar até 60 litros água por dia.

Novas etiquetas energéticas para sistemas de aquecimento

Com a entrada em vigor da nova Diretiva Europeia, a 26 de Setembro de 2015, os Estados-membros passaram a ter de cumprir novos requisitos de concepção ecológica (atendendo a critérios de eficiência energética, emissões poluentes e nível sonoro) e rotulagem para todos os equipamentos de aquecimento ambiente, águas quentes e sistemas mistos, com potência até 70 kW e depósitos até 500 litros. Aqui incluem-se aparelhos como caldeiras, esquentadores, sistemas solares, bombas de calor, termoacumuladores, depósitos ou equipamentos de co-geração. Ao todo, são 10 as novas etiquetas de eficiência energética que podemos encontrar no mercado para este tipo de equipamentos de aquecimento, que são responsáveis por 25% das emissões europeias de dióxido de carbono.

Após anos de duras negociações entre a Comissão Europeia e a indústria do setor, foi possível atingir um novo grau de eficiência energética. Estimativas do European Environmental Bureau (EEB) indicam que as poupanças potenciais geradas pelo novos requisitos para os aquecedores de água equivalem ao desmantelamento de 47 reatores nucleares, como os da central nuclear de Fukushima, na Europa até 2020.

*Sara Campos é técnica no Grupo de Energia e Alterações Climáticas da Quercus

A publicação deste artigo integra-se numa parceria entre a revista Smart Cities e a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, com vista à promoção de comportamentos mais sustentáveis.

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