ZOOM Smart Cities | marcar a diferença nas cidades inteligentes

Fonte: Smart Cities

“Fazer coisas novas para conseguir mudar o mundo”. O desafio, deixado pelo pensador holandês Rob Adams, reflecte aquilo que foi o ZOOM Smart Cities. Nos dias 18 e 19 de Maio, a conferência internacional colocou Portugal a pensar em como inovar e fazer das cidades melhores sítios para viver. Nas palavras do fundador da Six Fingers, a resposta pode estar em “ousar fazer diferente” – essa foi, pelo menos, a intenção deste encontro internacional, que se afirma como “o evento para as cidades inteligentes em Portugal”.

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Nos dois dias, mais de 450 pessoas estiveram na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa para assistir ao ZOOM SC, um número que superou as expectativas da organização e que eleva a fasquia para a edição do próximo ano. Entre especialistas, pensadores, criativos e dirigentes políticos internacionais e nacionais, o painel de oradores era, desde o início, promissor e soube responder às expectativas de quem se inscreveu no evento.

A socióloga urbana Saskia Sassen foi o nome forte do primeiro dia. “Devemos abordar as smart cities pela perspectiva da cidade e isso estraga logo tudo, porque as cidades são muita coisa”, começou por alertar. “A cidade é um sistema complexo mas incompleto”, continuou, convidando a audiência a pensar que factores permitem às cidades terem vidas longas.

“Se uma cidade inteligente não mobiliza a inteligência dos seus cidadãos, então, não é muito inteligente, é apenas a implementação de sistemas técnicos”, explicou Sassen à Smart Cities. “Quando introduzimos as pessoas, tudo se complica, pois estas não têm só um formato, não podemos controlar as suas opiniões, os seus desejos ou as suas preocupações. Isso eleva o nível de complexidade, pelo que digo que ser smart significa ser capaz de lidar com um cenário muito mais complexo do que aquele que ocorre num laboratório no desenvolvimento de uma tecnologia”, concluiu.

Com a mira na inteligência urbana estão as cidades de Milão, Londres e Lisboa. Enquanto anfitriã deste evento, a capital portuguesa deu a conhecer, durante o ZOOM SC e em primeira mão, as suas ambições e planos para os próximos anos. Sharing Cities, o projecto farol europeu que une as três cidades, financiado pelo programa Horizonte 2020, já está a ganhar forma. Acções de reabilitação urbana, mobilidade eléctrica, iluminação pública inteligente, sensores de ruído e de monitorização da qualidade do ar e utilização de tecnologias de energia renovável fazem parte das mudanças que vão começar a acontecer nestas cidades europeias. “Em muito pouco tempo, Lisboa vai estar em condições de passar para um nível diferente de smart city”, afirmou Paulo Soeiro de Carvalho, director de Economia e Inovação da câmara municipal de Lisboa.

Ser um palco de partilha de boas práticas foi outro dos objectivos do ZOOM SC. Para além das cidades que compõem o projecto Sharing Cities, outras tiveram também protagonismo. De Portugal, Abrantes, Bragança, Cascais, Loulé, Vila Nova de Gaia e Viseu deram o seu contributo, mostrando alguns dos projectos que têm desenvolvido no seu território. De além fronteiras, ouviram-se projectos de envolvimento do cidadão em Amesterdão, de Open Data em Bristol e ainda de mobilidade sustentável em Viena.

A escutá-los distinguia-se um convidado, a quem coube também o púlpito: Bornito de Sousa, ministro da Administração do Território de Angola. “No quadro organizacional, encontramo-nos numa fase de trabalho com os municípios e cidades, na perspectiva da preparação das autarquias locais a médio prazo. O movimento das cidades inteligentes é algo que temos estado a acompanhar com muito interesse”, disse. Nesse sentido, o país está, actualmente, em contactos “avançados” com Barcelona e “estão a ser feitas diligências para o desenvolvimento deste movimento [smart cities] em Angola”, revelou o governante angolano.

Também o Governo português teve uma palavra a dizer durante o ZOOM SC. José Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, abriu o segundo dia da conferência com três ideias chave: o papel actual das cidades, o desafio da descarbonização e ainda a fusão entre o mundo digital e o físico. Para além disso, ficou ainda a saber-se que está a ser preparada uma call para a criação de living labs nas cidades portuguesas, cujo montante poderá ir até aos 20 milhões de euros.

A diversidade dos oradores, nomeadamente os internacionais, foi um dos pontos fortes deste encontro. Olhando para as milhas que cada um fez para estar presente, a chinesa Xiaojing Huang deverá estar, com certeza, no topo. Especialista em design urbano e directora estratégica do Yang Design, apontado como um dos institutos mais visionários da China, Huang desvendou as principais tendências no design das cidades inteligentes, desde as telas ubíquas à incorporação de sensores, a utilização de energias renováveis, a multifuncionalidade, a interacção experimental ou os sistemas de interacção com os cidadãos. Isto sem nunca esquecer de que, numa cidade inteligente virada para o cidadão, “o contexto e as pessoas – as suas necessidades, problemas e o potencial – são sempre o ponto de partida”.

No final dos dois dias de ZOOM SC, chegou, então, a sugestão de Rob Adams – “Dare to differ”. Para o pensador, o melhor caminho para isso será o de fazer coisas novas. Numa sociedade em que tanto os exploradores como os executantes têm o seu papel, “é preciso fazer coisas novas”. E aqui vai o porquê: “Se não o fizermos, vamos estar apenas a melhorar constantemente as mesmas coisas, mas nada de novo acontece”.

A primeira edição do ZOOM Smart Cities foi organizada pela revista Smart Cities, pela Conteúdo Chave, pela BAC – Speakers Bureau e pela NOVA IMS. A conferência contou com o patrocínio principal da PT e da cidade de Lisboa, e ainda NEC, Indra, Volkswagen, Emel, Orbita, Bitcliq, PaxVoice e EY. Como apoio, estiveram também presentes os municípios de Abrantes, Bragança, Cascais, Loulé, Vila Nova de Gaia e Viseu.

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